Marlin nasceu num aquário, era um peixinho muito pequenino e dourado como um raio de sol.
O mundo dele resumia-se apenas a um pouco de água, alguma areia, algas, pedras de diversos tamanhos e cores e uma miniatura em madeira de uma caravela naufragada entre quatro paredes de vidro. Ah! E quarenta e sete outros peixinhos, quase todos irmãos de Marlin, ou primos, tios, parentes próximos. Havia ainda uma velha tartaruga, chamada Rita, que já vivia no aquário quando os avós de Marlin nasceram. Os peixes acreditavam que Rita vivia no aquário desde a criação do Universo e ela deixava que eles acreditassem naquilo.
Às vezes os peixes mais velhos contavam histórias que tinham escutado aos seus avós. Diziam que, para além das paredes do aquário, longe dali, havia água, tanta água que um peixe podia passar a vida inteira a nadar, sempre em linha recta, sem nunca bater de encontro a um vidro. A essa água imensa, onde tinham nascido os primeiros peixes, chamava-se Mar.
Os peixes falavam do Mar como quem fala de um sonho. Marlin tantas vezes escutou aquela história que um dia decidiu perguntar a Rita. A tartaruga era velhíssima, devia saber, tinha de saber. Encontrou-a a tomar sol em cima de uma pedra. Marlin prendeu a respiração, ergueu a cabeça acima da água, e fez-lhe a pergunta. Rita torceu a boca numa careta de troça:
- Disparate: o Mar não existe! Não existe nada para além daquelas quatro paredes de vidro.
Marlin foi-se embora pensativo. Sempre que ouvia falar no mar o aquário parecia-lhe mais pequeno. Não achava possível que os peixes, seus avós, tendo vivido sempre dentro de um aquário, tivessem conseguido inventar uma coisa tão grande como o Mar. Ele tinha de saber a verdade. Ele queria saltar as paredes de vidro e ir à procura do Mar. Os outros peixinhos não conseguiam compreender a angústia de Marlin:
- Não estás bem aqui? – perguntavam-lhe.
Marlin olhava para eles, aflito, incapaz de explicar aquela vontade de partir que sentia crescer, todos os dias, dentro do seu coração e o empurrava contra as paredes do aquário, tentando espreitar, para além delas, um outro mundo. O que via, porém, eram os seus próprios olhos reflectidos no vidro gelado.
Uma manhã, muito cedo, ainda todos os peixes dormiam, Marlin encheu-se de coragem, tomou balanço, e saltou. Percebeu imediatamente que o mundo não terminava no aquário. Percebeu também, assustadíssimo, que o resto do mundo era um lugar tão seco quanto a pedra onde Rita costumava descansar. Percebeu isso tarde demais.
Estava estendido num tapete felpudo e não conseguia respirar. Foi então que viu o gato. Ele não sabia o que era um gato. Nunca tinha visto nenhum. O gato, no entanto, sabia o que era um peixe. Os peixes, na opinião do gato, eram comida. Marlin viu o gato e gritou:
- Ajuda-me! Vou morrer!...
- Pois vais – disse o gato, que aliás, não era um gato, era uma gata, e por sinal lindíssima -, eu vou-te comer.
Marlin conseguia ver o aquário e do lado de lá do vidro os outros peixes. Mas eles não o podiam ver.
- Não me comas – pediu -, eu quero ver o Mar.
A gata olhou para ele admirada:
- O Mar? Tu nunca viste o Mar?
Marlin, com dificuldade, porque fora de água não conseguia respirar, contou-lhe a sua história. Dory – era assim que se chamava a gata -, ficou com pena dele. Agarrou-o com a boca, cuidadosamente, para não o magoar, e colocou-o na sua tigela da água.
- Vou-te ajudar – disse-lhe -, porque nunca conheci ninguém tão corajoso como tu.
Nessa tarde a gatinha saiu pelos telhados à procura de Nigel, o albatroz, um pássaro enorme, bico largo e fundo, capaz de transportar lá dentro uma enorme quantidade de peixes. Nigel, velho amigo, recebeu-a com alegria. Dory contou-lhe a história de Marlin e pediu-lhe para levar o peixinho até ao mar. O albatroz achou a ideia um pouco estranha: afinal ele tirava os peixes do mar para os comer. Mas quando Dory o apresentou a Marlin depressa se convenceu. Colocou então o peixinho dentro do bico, com uma larga porção de água, para que ele não sentisse dificuldades em respirar, e levantou voo.
Voaram quase uma hora quando Nigel abriu o bico e disse a Marlin para espreitar. Marlin ergueu a cabeça e o que viu deixou-o mudo de espanto. O Mar brilhava imenso à sua frente. Era muita água. Havia muitíssimo mais água ali do que dentro do seu aquário, muito, muito mais, muito mais do que ele se tinha alguma vez atrevido a imaginar. Nigel abriu as grandes asas e começou a descer em direcção ao imenso azul, lá em baixo, ao salgado rumor das ondas. Gritou:
- Adeus, amigo. Boa sorte!
Sacudiu o bico e soltou Marlin! O peixinho dourado olhou para cima, antes de mergulhar nas águas livres do Mar, e ainda o viu agitando as asas, adeus, adeus, e desaparecer entre as nuvens altas.
Longe dali, Dory, a gata, pensava em Marlin. A partir daquela data ela nunca mais foi capaz de comer peixe. Coitada, hoje, só come carne e vegetais.
Às vezes os peixes mais velhos contavam histórias que tinham escutado aos seus avós. Diziam que, para além das paredes do aquário, longe dali, havia água, tanta água que um peixe podia passar a vida inteira a nadar, sempre em linha recta, sem nunca bater de encontro a um vidro. A essa água imensa, onde tinham nascido os primeiros peixes, chamava-se Mar.
Os peixes falavam do Mar como quem fala de um sonho. Marlin tantas vezes escutou aquela história que um dia decidiu perguntar a Rita. A tartaruga era velhíssima, devia saber, tinha de saber. Encontrou-a a tomar sol em cima de uma pedra. Marlin prendeu a respiração, ergueu a cabeça acima da água, e fez-lhe a pergunta. Rita torceu a boca numa careta de troça:
- Disparate: o Mar não existe! Não existe nada para além daquelas quatro paredes de vidro.
Marlin foi-se embora pensativo. Sempre que ouvia falar no mar o aquário parecia-lhe mais pequeno. Não achava possível que os peixes, seus avós, tendo vivido sempre dentro de um aquário, tivessem conseguido inventar uma coisa tão grande como o Mar. Ele tinha de saber a verdade. Ele queria saltar as paredes de vidro e ir à procura do Mar. Os outros peixinhos não conseguiam compreender a angústia de Marlin:
- Não estás bem aqui? – perguntavam-lhe.
Marlin olhava para eles, aflito, incapaz de explicar aquela vontade de partir que sentia crescer, todos os dias, dentro do seu coração e o empurrava contra as paredes do aquário, tentando espreitar, para além delas, um outro mundo. O que via, porém, eram os seus próprios olhos reflectidos no vidro gelado.
Uma manhã, muito cedo, ainda todos os peixes dormiam, Marlin encheu-se de coragem, tomou balanço, e saltou. Percebeu imediatamente que o mundo não terminava no aquário. Percebeu também, assustadíssimo, que o resto do mundo era um lugar tão seco quanto a pedra onde Rita costumava descansar. Percebeu isso tarde demais.
Estava estendido num tapete felpudo e não conseguia respirar. Foi então que viu o gato. Ele não sabia o que era um gato. Nunca tinha visto nenhum. O gato, no entanto, sabia o que era um peixe. Os peixes, na opinião do gato, eram comida. Marlin viu o gato e gritou:
- Ajuda-me! Vou morrer!...
- Pois vais – disse o gato, que aliás, não era um gato, era uma gata, e por sinal lindíssima -, eu vou-te comer.
Marlin conseguia ver o aquário e do lado de lá do vidro os outros peixes. Mas eles não o podiam ver.
- Não me comas – pediu -, eu quero ver o Mar.
A gata olhou para ele admirada:
- O Mar? Tu nunca viste o Mar?
Marlin, com dificuldade, porque fora de água não conseguia respirar, contou-lhe a sua história. Dory – era assim que se chamava a gata -, ficou com pena dele. Agarrou-o com a boca, cuidadosamente, para não o magoar, e colocou-o na sua tigela da água.
- Vou-te ajudar – disse-lhe -, porque nunca conheci ninguém tão corajoso como tu.
Nessa tarde a gatinha saiu pelos telhados à procura de Nigel, o albatroz, um pássaro enorme, bico largo e fundo, capaz de transportar lá dentro uma enorme quantidade de peixes. Nigel, velho amigo, recebeu-a com alegria. Dory contou-lhe a história de Marlin e pediu-lhe para levar o peixinho até ao mar. O albatroz achou a ideia um pouco estranha: afinal ele tirava os peixes do mar para os comer. Mas quando Dory o apresentou a Marlin depressa se convenceu. Colocou então o peixinho dentro do bico, com uma larga porção de água, para que ele não sentisse dificuldades em respirar, e levantou voo.
Voaram quase uma hora quando Nigel abriu o bico e disse a Marlin para espreitar. Marlin ergueu a cabeça e o que viu deixou-o mudo de espanto. O Mar brilhava imenso à sua frente. Era muita água. Havia muitíssimo mais água ali do que dentro do seu aquário, muito, muito mais, muito mais do que ele se tinha alguma vez atrevido a imaginar. Nigel abriu as grandes asas e começou a descer em direcção ao imenso azul, lá em baixo, ao salgado rumor das ondas. Gritou:
- Adeus, amigo. Boa sorte!
Sacudiu o bico e soltou Marlin! O peixinho dourado olhou para cima, antes de mergulhar nas águas livres do Mar, e ainda o viu agitando as asas, adeus, adeus, e desaparecer entre as nuvens altas.
Longe dali, Dory, a gata, pensava em Marlin. A partir daquela data ela nunca mais foi capaz de comer peixe. Coitada, hoje, só come carne e vegetais.
Escrevi este conto no âmbito da disciplina de Práticas de Expressão Portuguesa...espero que gostem!! Um dia quando acabar o curso e não arranjar emprego como jornalista ou Relações Públicas dedico me a escrever contos infantis!
9 comentários:
Muito bem... Menina Ana, futura jornalista... vais tirar o lugar á Clara de Sousa....lol..:-) Adorei o conto.... Sem dúvida é uma história muito bonita... na qual me reflicto.. Não pela tartaruga ter o meu nome, mas pela ambição do peixe... Não devemos pensar que a Vida de resume a um simples aquário... mas devemos pensar sempre no além fronteiras, no imenso MAR, como forma de alargar horizontes.. PARABÉNS...
Olá Rita (mais conhecida por Alfreda)!
Peço desculpa pela gafe cometida, mas a idade já começa a pesar. Eu sei que tu estás em Arqueologia mas passou-me. Já agora gostaria de te dizer que quando, mais tarde, andares nas escavações me convides pois eu também gosto de escavar.
Beijinhos
Bom Natal com muitas prendas (se forem merecidas)
Olá Ana!
Gostei muito da história do peixinho, principalmente, quando a tartaruga se chama Rita. Muito original este nome para uma tartaruga.
A faculdade está-te a fazer bem.
Beijinhos
LOL alfreda..ja nem me lembrava desse nome...nao e so a mim que me esta a fazer bem...ja notei k á rita ainda esta a fazer melhor..parece estar com mais juizo!!
beijinhos**
P.S - Temos de combinar uum jantar de natal (ou depois do natal) todos! e quando digo todos e mesmo todos com a prof manjos incluida claro!
Olá Meninas!!
Este nosso blog tem poucos colaboradores. Onde anda o resto da turma? A Sra sub-Directora também deveria ser convidada a colaborar neste blog. Ela é merecedora, ajudou-vos muito e gosta de participar.O mail dela é manuela.a.silva@gmail.com.
Quanto a publicar coisas já descobri. Vou fazer umas coisas e depois publico.
Beijinhos
Sim... Sr.ª Mestra... Depois eu convido...Já agora deixe-me que lhe agradeça os valiosos ensinamentos na área da topografia que me deu... têm dado muito jeito na cadeira de MIAL ( Métodos de Investigação Arqueológica de Laboratório),e a observação de perfis topográficos que muito jeito também vão dar para o 2º semestre numa cadeira de arqueologia de campo.... Beijos.. UM FELIZ E SANTO NATAL!!
Olá Ana!
Gostei muito do teu conto, está giríssimo. Mexeria um pouco na pontuação, mas nada de significativo.
Está muito bem escrito. Parabéns!
Manuela
Obrigada sub-directora! A sua opinião é muito importante.
bj
Tenho a certeza que copiaste o conto de um livro que la tinhas em casa...lol...mas deste-te ao trabalho de o copiar para o blog, e isso é de louvar...heheheheheh
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